segunda-feira, 7 de março de 2011

Capitulo VI





– Demi anda logo se não vamos nos atrasar para aula. Só porque você é nova não significa que pode chegar atrasada em toda aula – Selena disse enquanto me puxava feito uma doida rumo aos nossos armários, que ficam no mesmo corredor.
Tínhamos acabado de almoçar e estávamos indo rumo á nossos armários ver qual seria nosso próximo horário.
– Ah desse jeito você vai me deixar doida menina, calma se não você vai rançar meu braço fora – puxei meu braço das mãos de Selena rindo.
Sei que eu e Selena nos conhecemos não faz nem um dia, mas já nos sentimos como se fossemos amigas há anos. Ela pode ser bem estranha e grosseira quando quer, mas no fundo ela é uma pessoa legal e fofa, bom pelo menos é o que parece.
– Está bom – Sel disse rindo comigo – eu vou ao meu armário pegar meus livros para a próxima aula, você – ela disse apontando para mim, fingindo uma cara brava, como a da minha mãe quando está fula da vida comigo, o que só me fez rir mais – pegue os seus ok?
– Ok mamãe, é melhor eu ir antes que você me faça fazer xixi nas calças de tanto rir.
Obedeci Sel e fui até meu armário pegar meu horário para ver em que sala eu ficaria agora.
– Hmm, eu vou ficar no ginásio, aula de ginástica – disse para Sel.
– Aaaah! Sério? – ela gritou tão alto que é capaz da escola inteira ter ouvido seu grito e depois desandou a rir que nem uma louca.
Não sei pra que tanto escândalo. Ela não é muito normal, na verdade ela não é nem um pouco normal. Claro, não por ela ser negra nem nada a ver com isso, porque eu não sou preconceituosa, pelo menos com isso não. É porque ela vive dando ataques e surtos de riso e vive gritando. É mas pensando bem, eu também não sou muito normal, então estamos quites.
– Hããã, é claro que é sério, por acaso eu tenho cara de mentirosa? – disse fingindo estar zangada com ela, (ignorando por completo o fato de eu achar que ela é meio doida) o que só a fez rir mais.
– Claro que não garota, você tem é cara de freira, não de mentirosa e eu não estou surtando se é o que você ta achando, porque a sua cara da a entender que eu estou surtando – ela disse e continuou – é só que eu também tenho aula agora no ginásio e isso que dizer que...
– Que agente vai ter aula juntas! – completei a frase dela.
Haha garotas sempre completam a frase uma da outra. A gente acha isso divertido.
Selena começou a pular e bater palminhas de alegria, que nem uma criança feliz que acaba de ganhar um presente do papai Noel.
– Já te disse que te acho doida? Sério, você fuma, bebe, cheira ou alguma coisa do tipo? – perguntei a ela enquanto íamos andando na direção, que segundo ela era a do ginásio – e de onde você tirou essa ideia de que eu tenho cara de freira menina?
Nunca fui muito fã de educação física – que é o que eu acho que vamos ter no ginásio – todo mundo sempre sai suado, fedido e descabelado da aula de educação física e depois entra na sala de aula nesse mesmo estado lamentável, o que nos leva a imaginar o cheiro que a sala ficava. Uma mistura de cigarro – alguns alunos escapavam da aula para fumar – com cheiro de cavalo, poeira e suor. Ótima fragrância para alguém que quer ser confundida com um mendigo que mora no esgoto.
– Claro que eu não fumo Demi, além de que eu odeio cheiro de cigarro, sempre que tem alguém fumando e você passa perto, seu cabelo fica com aquele cheiro horrível – é eu tenho que concordar com ela, também odeio cigarro – e sim, você tem cara de freira, ou melhor, você tem cara de bebê babão com essa sua pele branquinha e lisinha e esse seu cabelo todo onduladinho e loirinho (a Demi tava com o cabelo loiro ok?) com uma mistura de freira.
É não gostamos do nosso cabelo cheirando fumaça. É eu tenho uma pele de bebê mesmo, bom pra mim. Haha.
– Bom saber que você não fuma – disse á ela, enquanto virávamos no corredor rumo a portais gigantes, que devem ter no mínimo umas duas vezes minha altura, não que eu seja tão alta, tenho 1.65 de altura, mas o que importa é que eles eram realmente grandes, grandes e marrons, que nem barro – não gosto de fumantes, eles sempre estão fedendo fumaça e quase sempre estão chapados – fumante é o cúmulo, não sei nem porque inventaram o cigarro – e eu sei que eu tenho uma linda pele branquinha que nem leite e que parece de bebê. E eu sei que você ama a minha pele e queria ter ela pra você.
– Pode crer eu amo a sua pele – ela disse rindo – e quanto a coisa dos cigarros, eu acho que então você vai sofrer muito nessa escola, porque aqui ou as pessoas são drogadas e fumantes, ou são metidos ou nerds... Aquela velha história de toda escola, só algumas pessoas realmente prestam, como eu e você. Somos umas das únicas normais nessa escola.
– Bom – disse lançando um olhar de sarcasmo para Selena – se você acha que ser uma “aberração” – fiz aspas na palavra aberração – é ser normal, então somos normais.
– Néh. Nossa não suporto a Taylor, ela se acha superior as outras pessoas só porque é riquinha, loira, líder de torcida e popular. E ainda nos chama de aberrações – ela disse nervosa, dava quase para ver as fumaças saindo de suas orelhas.
– É mesmo – desde a primeira vez que vi Taylor, já percebi que ela era desse tipo de pessoas que se acha, sem contar que o loiro dela é um loiro horrível, tem cor de “mijo”, como quase todo (para não dizer todo) loiro que não é natural – também não gosto dela. Seu eu fosse rica que nem ela, eu iria fazer alguma coisa útil tipo doar para os asilos ou fugir de casa para ajudar os pobres, tipo como a Florence Nightingale fez.
– Quem é Florence Nightingale? – Hayley perguntou fazendo uma careta, por ter tropeçado em um degrau e quase caído.
Tínhamos acabado de entrar no ginásio. Nada de especial. É apenas um ginásio comum, com pessoas comuns e um professor comum (pelo menos a primeira vista).
Até que este colégio era bem legal, tirando a parte de que as pessoas daqui são um pé no saco. Tirando Sel claro, e aquele garoto que encontrei na mercearia, que parecia ser bem simpático, um pouco galã demais, mas nada muito grave. Ah e o pai dele também, o cara que gosta de roscas de coco.
Pelo caminho que fizemos até o ginásio vimos muitas árvores e plantas. Gosto de árvores e plantas, eu acho que um lugar sem um pouco de verde fica feio e sério.
– Florence Nightingale foi uma mulher que nasceu em 1820 ela foi criada em uma família burguês, mas renunciou toda a sua riqueza para assistir aos feridos no campo de batalha. Ela dirigiu hospitais e renovou o conceito de enfermagem, que naquela época era super primitivo – expliquei a ela enquanto andávamos rumo ao resto das pessoas que estavam no ginásio.
– Ah, então quer dizer que se você fosse rica que nem a Taylor você iria largar tudo e iria pra guerra trabalhar como enfermeira? – ela disse fazendo uma cara do tipo “você é doida ou quer um real?”.
– Nããão – eu disse prolongando o ão do não e dando um mini tapa na cabeça dela – eu só usei ela como um exemplo de que é possível largar o dinheiro todo pra trás e fazer uma coisa útil e não ser uma Taylor da vida, entende?
– Ah ta entendi – ela disse – então você é do tipo nerdzona que sabe de tudo dessas coisas do passado? – ela disse rindo.
Chegamos mais perto do resto das pessoas que estavam no ginásio, todos estavam sentados em um círculo e havia um homem – provavelmente o professor – no meio do círculo.
– Claro que não, odeio história – revirei os olhos para ela e continuei andando.
Sel foi para um lugar onde havia um buraco no círculo e se sentou no chão. Segui-a, mesmo sem querer, pois todos estavam me olhando. O pior de tudo é que não dava pra saber o que eles estavam pensando, a cara deles não mostravam nenhuma expressão ou sentimento.
Corei de novo. Droga!
Sentei-me do lado de Sel e senti minhas bochechas pegarem fogo.
– O que a gente vai fazer? – cochichei.
– Sei lá, agente vai fazer o que o professor mandar – ela disse tão baixo que eu quase não consegui escutar. – e eu já vou avisando que aqui aula de ginástica é obrigatória, não tem como ficar sem fazer, e que o professor é um mala.
Ah, que bom vou ser OBRIGADA a fazer ginástica, educação física, ou o quer que seja que esse cara vai me mandar fazer.
Droga! Mil vezes droga!
– Para quem não me conhece eu sou o Taylor, o professor de educação física de vocês – disse o homem que estava no meio do círculo andando de um lado para o outro.
Taylor é um cara troncudo (parece um tronco de árvore) com cara séria. Provavelmente deve ser um mala, como a Sel disse.
– E eu sou Daniele, professora de ginástica e ginástica artística – disse uma mulher que saiu meio que do nada, não consegui ver de onde ela tinha saído. Ela tinha cabelos longos e loiros escuros.
Ainda bem que eram naturais e não pintados cor de mijo.
– Agora eu quero que as meninas venham comigo e os meninos fiquem aqui com Taylor – disse Daniele indo rumo á um portão que estava aberto no fundo do ginásio.
Levantei-me e fui atrás de Daniele e de Selena em silêncio. E as outras garotas também.
Era até engraçada a cena. Se fosse na minha antiga escola todos estariam correndo pelo ginásio e estariam ignorando o professor.
Passando pelo portão nos deparamos com outro ginásio, esse era ainda maior que o outro. Devia ter o dobro do tamanho. Ele era todo ocupado com vários aparelhos de ginástica artística e vários tablados no chão.
– Uau! – ouvi Sel dizer boquiaberta – isso aqui está bem melhor do que no ano passado.
– O que é isso? – perguntei a ela, cutucando seu ombro – tipo, que lugar é esse?
Nunca tinha visto nada igual aquele lugar.
– Esse é o ginásio de ginástica – ela respondeu minha pergunta ainda boquiaberta – é aqui que vamos passar o resto das nossas aulas de ginástica.
– Então é aqui que as lideres de torcida treinam? – perguntei a ela enquanto andava atrás dela, que por sua vez estava andando e inspecionando o local.
– É, não só as lideres de torcida, mas todas as meninas.
Todas as meninas? O que ela está querendo dizer com todas as meninas?
– Como assim todas as meninas?
– Todas as meninas, eu, você, as lideres de torcida, aquelas meninas que vieram pra cá junto com a gente, todas as meninas – Sel disse agora parando de andar e me encarando – Será que é tão difícil entender o que quer dizer todas as meninas?
Fiquei calada.
Como assim? Eu vou ter que fazer aquele tanto de piruetas e coisas do tipo? Ah, danou-se. Estou morta.
Pareço um golfinho aleijado quando a questão é ginástica artística.
– Não, eu entendi é só que... – fui dizendo enquanto dava mais uma olhada no lugar.
Isso aqui não era muito bem como eu imaginava. É, eu tenho mania de imaginar como é o lugar antes de conhecê-lo. Parece loucura, talvez seja. Cada pessoa tem sua loucura, mania. Elas vão desde contar quantos carros brancos existem do caminho de casa até a escola até cantar com uma escova de cabelo na mão e imaginar que canta bem.
No meu caso eu tenho as duas. Mania? Loucura? Devaneio? Eu não sei. O homem é um ser difícil de entender.
– Só o que Demi? – disse Selena impaciente
– Nada, esquece – às vezes é bom guardar algumas coisas para si mesmo, ou as pessoas podem te achar doido.

Eu sei que já pedi isso milhões de vezes mas vou pedir mais uma vez haha. Entrem no http://jemi-forever.tumblr.com/  pq a história tá muito linda, ainda mais agora que teve participação especial de Paramore.
AAAH VAI TER JEMI NO PRÓXIMO CAPÍTULO 

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