segunda-feira, 7 de março de 2011

Capitulo I


          
Sabe... os livros, as estrelas e a música sempre foram meus melhores amigos. As estrelas sempre estão comigo aonde quer que eu vá, e os livros e a música, bem... eu não sei explicar direito, mais quando estou lendo ou estou escutando música eu me sinto super leve, desligada do mundo, parece que todos os meus problemas se desgrudaram de mim e saíram flutuando pra longe e somem...pelo menos por um instante. É como se lendo e escutando música eu achasse a solução para os meus problemas.
Eles são ótimos amigos, é difícil achar bons amigos e preservá-los, e sempre que encontro um nós nos mudamos.
É isso mesmo, nós nos mudamos, minha mãe é pintora e sempre que acaba de pintar um quadro e vai começar outro, gosta de pintar paisagens diferentes, e então nos mudamos pra outro lugar para que ela possa observar novas paisagens e pintar.
Antes era bem difícil pra mim sabe, ter que mudar quase todo ano para um lugar novo, casa nova, escola nova, deixar os amigos pra trás, mas agora eu já me acostumei. E como meu pai morreu quando eu era pequena, e eu não tenho irmãos, fica mais fácil.
Nós nos mudamos faz um dia, mas tudo já estava em seu lugar. Já era tarde então fui me deitar, mas não conseguia dormir, então fiquei observando meu novo quarto, as paredes eram verdes com alguns detalhes brancos, a cama ficava em frente o meu guarda-roupas, e do lado tinha uma mesa e duas prateleiras -que claro, estavam lotadas de livros e CDs- o meu quarto não era muito grande, e nem tinha como ser porque a parte de cima da casa era um pouco pequena, mas era de um tamanho bom, eu não tinha muita coisa para colocar nele mesmo. O que mais ocupava meu quarto eram os meus CDs e livros.
Começo a olhar pro teto e reparo que havia uns adesivos de estrelas que brilham no escuro, grudados nele. Olhando assim até parecia real... Deve ter sido o antigo dono da casa que deve ter colado essas estrelas ai no teto, porque eu sei que a minha mãe não foi, ela nunca lembra de mim.
Peguei uma almofada e fui até a sacada e me deitei no chão para observar as estrelas, procurando as constelações. Sempre gostei de ficar olhando as constelações, elas são tão lindas...A minha preferida é a de Peixes.
– Demetria o que você está fazendo aí deitada no frio e no chão sujo? Vem deitar na cama! – minha mãe sempre ficava brava quando eu me deitava no chão, ele falava que é cheio de micróbios, ácaros, sujeiras...Sério, ninguém merece quando a minha mãe começa com essa história de micróbios e ácaros no chão, dá vontade de sair correndo dela, fica até parecendo que ela obcecada por limpeza.
– Ah! Oi mãe! Eu só estou aqui observando as estrelas e procurando as constelações e por favor não me chame de Demetria – respondi com a respiração meio acelerada por causa do susto que levei e ao mesmo tempo nervosa por minha mãe ter me chamado de Demetria, ela sabe que eu odeio o meu nome.
– Como pude esquecer! Você sempre faz isso! Não vou parar de te chamar de Demetria, esse é seu nome e ele é muito lindo – Ela diz e dá uma risadinha enquanto atravessa meu minúsculo quarto pegando uma almofada da minha cama em formato de sapo e se deitando no chão ao meu lado. Nem sei o que deu nela pra, do nada, chegar assim no meu quarto e deitar no chão, ela não do tipo de mãe que se lembra muito da filha e se preocupa com ela. Claro, ela sempre me deu comida, roupa, lugar pra morar, mas ela sempre está muito ocupada com as suas pinturas.
A sacada foi tomada por um silêncio medonho, só havia o barulho do vento passando pela estreita sacada, fazendo um barulho como se fosse um assobio. O silêncio não me incomodava, e nem a minha mãe, isso eu tinha puxado dela, eu não me importava de ficar sozinha e nem me importava com o silêncio, eu até que gostava dele.
Ficamos ali um bom tempo deitadas em silêncio no chão da sacada. Estava bom ficar ali deitada, olhando as estrelas, às vezes até parece que elas estão olhando pra mim.
Fiquei pensando se talvez as estrelas tivessem vida como nós, se elas falassem, andassem, mas percebi que aquilo era idiotice, meu Deus com eu sou estúpida, como uma estrela pode andar e falar se....
Mas minha mãe cortou meu raciocínio no meio pra me dar um sermão.   
– Demi já está ficando tarde, você tem que acordar cedo amanhã para ir á escola e é melhor você levantar desse chão sujo antes que você fique doente. – minha mãe disse finalmente me chamando pelo meu apelido e não pelo meu nome horrendo.
– Sabe mãe... – eu digo ignorando totalmente o sermão dela- eu estou meio com medo das pessoas daqui não gostarem de mim. – claro, eu estou acostumada a mudar muito de cidade estado e tal, mas de país? Sei lá, as pessoas daqui dos EUA são tão diferentes das do Brasil, as culturas, roupas, costumes, vai que as pessoas me achem estranha.
 – Demi pare com isso! Você sempre foi tão segura quando nos mudamos e agora você está insegura assim! – fiquei até com medo do tom de voz que ela usou e dei uma encolhida, e acho que ela percebeu. Porque ela foi e me abraçou.
Uau! Minha mãe me abraçando sem eu pedir? Que evolução!
– É eu sei mãe... – dei uma pausa para escolher bem as palavras pra ela não brigar de novo comigo – mas é que agente sempre se mudava apenas de estado, mas agora nós nos mudamos de país e eu estou meio preocupada. – disse corando. Odiava ser branca demais, sempre que ficava com vergonha as pessoas percebiam por causa dessas minhas bochechas idiotas que vivem corando.
 – Ah Demi, você não precisa se preocupar com nada! – ela disse impaciente, o que não me surpreendeu nada, já que minha mãe sempre foi meio impaciente.
– Mas mãe, e se ninguém gostar de mim, e me acharem estranha, ou não quiserem falar comigo porque sou de outro país!
– Filha, você não precisa se preocupar com nada tenho certeza que vai encontrar pessoas legais!
Bom, aquelas palavras me encorajaram, pelo menos um pouco, continuava meio preocupada, mas mesmo assim me levantei e fui pra cama.
Minha mãe também se levantou, me deu beijo e saiu do quarto meio que cambaleando, acho que ela está meio grogue de tanto sono.
         Sabe, nem sei por que estou me importando se alguém vai ou não gostar de mim. Eu não sou desse tipo de pessoa que se importa com o que os outros pensam, pra mim o que importa é o que eu acho e ponto. Por isso nas minhas antigas escolas eu sempre era a garota esquisitona que gosta de preto e não tá nem ai pro resto. A única pessoa que não me achava uma esquisitona era a minha melhor amiga, Miley.
          Miley era uma ótima amiga, nos conhecemos faz 7 anos, mas como eu vivo me mudando só mantemos contato por email, telefone e nas férias quando ela sempre viaja pra minha casa.
Fiquei um tempo ali deitada sem conseguir dormir. Peguei meu MP4 e liguei-o. Acho que estava funcionando porque eu já tava ficando com sono. Música sempre funcionava. Sempre fui apaixonada por música
Quando comecei a fechar os olhos vi uma luz muito forte vinda de lá de fora da sacada. Levantei correndo, ainda meio zonza e acabei tropeçado num par de sapatos que estavam jogados no chão do meu quarto. Por causa do tropeção ganhei um ralado no joelho. Ah legal, no primeiro dia de aula eu vou chegar com um ralado no joelho e com as pernas roxas. Levantei toda dolorida e fui pra sacada.
Decepção.
Lá fora não tinha nada, olhei pra cima, pra baixo, para um lado, para o outro e nada...
Voltei pra cama desanimada, achei que poderia ser um ET ou coisa parecida, mas tinha me enganado, devia ser apenas um carro com os faróis fortes ou um caminhão. Sempre acreditei que existem ETs, muitas pessoas me acham louca por causa disso, mas eu não vou deixar de acreditar só porque tem pessoas que não concordam comigo.
Coloquei os fones no ouvido de volta e caí no sono. Como sempre a música funcionou.


2 comentários:

  1. legall adoro preto tambem miinha cor preferiiida poriço eu amuuh a demiii miinha diiva nunca gosteii de cantora assim maiis da demii eu gosto pq ella e quase igual euuu muito bom essa historias

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  2. Muito boa a historia continuem postando beijos

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