segunda-feira, 7 de março de 2011

Capitulo II



Acordo com o despertador berrando exatamente ás 08h30min da manhã. Dou um soco nele pra parar com aquela barulheira irritante e o despertador voa na parede fazendo uma barulheira.
Podia escutar os pássaros cantando no jardim.
Espreguicei-me e forcei para abrir os olhos, que não queriam abri de nenhuma maneira para afastar o sono. Sentei-me na cama me sentindo um caco, meu corpo me pedindo mais algumas horas de sono. Eu havia ido dormir tarde na noite passado por causa da falta de sono. Vi minha imagem refletida no espelho, meus olhos verdes em contraste com minha pele quase albina, meu cabelo ruivo totalmente desgrenhado de tanto virar no travesseiro.
– Com certeza eu não sou a pessoa mais bonita quando acordo. – disse para mim mesma enquanto lutava contra o sono para levantar da cama.
Levanto, colocando meus pés descalços no chão gelado e caminho lentamente até o interruptor de luz.
Tirei minha camisola e corri para o banheiro, escovei os dentes e depois entrei de baixo do chuveiro. Senti a água quente sobre minha pele, essa sensação me fez sentir mais sonolenta ainda. Tudo que eu queria era passar o resto do dia debaixo das minhas cobertas abraçada com meu ursinho de pelúcia Alexz.
Sai tropeçando em tudo que está no chão. Eu sempre fui muito desastrada, sempre derrubo tudo e tropeço nas coisas. Agarrei na porta do guarda-roupas para não cair. Vesti uam camiseta preta que estava escrito I Love Paramore, coloquei uma calça e, como ainda era muito cedo, ligue meu computador para ver se tinha algum email novo. Só havia um.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
De: Miley
Para: Demetria

Oi Demi! Como vão as coisas ai? As aulas aqui já começaram. Bom, continua tudo a mesma coisa aqui. O Márcio, a Caroline e a Giovanna saíram da escola (que pena que a Ashley também não saiu, ela continua insuportável). Entrou uma menina nova chamada Taylor, ela é meio desastrada, sabe...., parece alguém que eu conheço uaehiauheiuahe. Bom, mas ela é legal.
 Eu dei uma passada na casa da sua tia pra ver como é que estava o seu cachorro, como sempre a sua tia esqueceu-se de dar comida pra ele, e quando eu cheguei lá ele veio pulando que nem um louco em mim como se tivesse implorando por comida.
Nossa estou com tanta saudade de você (mesmo eu tendo te visto semana passada). Depois me mande uma foto daí pra eu ver como é que é ok?
Bem, é só isso que eu tinha pra falar mesmo.
Beijos, Miley.                             
------------------------------------------------------------------------------------------------

Ok, não tinha nada tão interessante assim. Mas fazer o que né? Ela é minha amiga, eu sou quase que obrigada que a responder o email, apesar de que a preguiça está quase me comendo viva.
-------------------------------------------------------------------------------------------------

De: Demetria
Para: Miley

Oi Milees! Como você mesmo disse as aulas aqui ainda não começaram, na verdade vão começar daqui mais ou menos uma hora. Ontem à noite eu vi uma coisa muita estranha passando pela sacada, foi uma luz muito forte, parecia que eram ETs, ok eu sei que você fala que ETs não existem, mas mesmo assim...
Mas deixa pra lá!
Ah, faz um favorzinho? Lembra a minha tia que o meu cachorro precisa de ração se não ele MORRE! Porque é capaz dela esquecer e deixá-los morrer de fome, que nem ela fez com os gatos dela. Coitadinho deles...
Também estou morrendo de saudades Miles! Depois eu te mando umas fotos daqui ok?
Beijos, Demi.
----------------------------------------------------------------------------------------------------

A minha família é a família mais estranha que existe.
Com minha tia consegue esquecer que cachorros precisam de comida pra viver?? Ela deve ter amnésia.
Levantei-me da cadeira e tomei um banho. Fui correndo pro quarto da minha mãe pra ela me levantar pra escola, mas ela estava dormindo. Então resolvi ir pra escola a pé mesmo, peguei meus materiais e desci as escadas. Claro que eu acabei caindo – pessoas como eu sempre caem é INCRÍVEL – e com isso ganhei mais uns 20.000 roxos. Bom, pelo menos ainda estava inteira.
Olhei para o relógio, ainda eram 09, mesmo assim fui andando rumo à porta já que eu teria que ir andando para o colégio.
Até que estava começando a gostar de Boston já que eu posso acordar tarde, porque as aulas só começam ás 10 – em comparação com o Brasil, onde as aulas começam ás 7, 10h00min é muito tarde. Três horas a mais de sono. Isso é que é vida.
Abri a porta e senti aquele friozinho típico do mês de fevereiro em Boston.
Sem querer me gabar, mas esse bairrozinho que eu moro até que é bem chique pro meu gosto. Se não me engano o nome dele é Beacon Hill, pelo que eu pesquisei antes de vir para Boston – é eu sei eu sou uma nerdzona mais e daí, eu precisava saber como seria a cidade que eu iria morar- é um dos bairros mais luxuosos e famosos dessa cidade, mas não pensei que seria tanto assim. As casas daqui não são nem um pouco humildes, a maioria são de mais de um andar e de terreno bastante grande com piscinas, churrasqueiras e tudo que uma casa tem direito.
Fui descendo a rua e admirando as belas casas. Avistei uma espécie de padaria e resolvo entrar, já que havia me esquecido de comer em casa.
Entrando no café escuto aquele barulhinho do sininho que fica em cima da porta para avisar quando algum cliente entra. O café é um lugar ajeitadinho, com várias mesas espalhadas pelo lugar e um balcão onde se vê vários tipos de pães, doces, roscas, brioches, croissants...
Vou rumo ao balcão, onde há um homem grisalho que aparenta ter mais ou menos uns 45 anos.
– O que a senhorita vai querer? – O homem diz abrindo um sorriso tão grande que vai quase até as orelhas dele.
– Hmm... – eu digo tentando decidir o que eu vou querer. – Qual você acha melhor? – Nossa como eu sou lesada, óbvio que ele vai dizer que todos são bons, tipo, ele é vendedor da loja, não vai dizer que um é melhor que o outro.
– Eu gosto muito de todos. – Ele diz enquanto fica encarando as plaquinhas com o nome das roscas. Há eu disse que ele ia dizer que gosta de todos! – Mas, eu prefiro a rosca de coco, a minha mulher que fez elas. – Ok, ele tem uma preferência, mas é diferente porque ele só prefere a rosca, pois foi sua mulher que fez.
– Então acho que vou querer uma. – digo confiando na opinião do homem grisalho.
Ele pega uma rosca, a coloca em um pratinho e me entrega.
Sai contornando as mesas e sentei em uma perto da janela, para poder ficar admirando a vista das belas casas. Queria que o Brasil fosse assim, todo bonito, cheio de casarões e não cheio de favelas.
Fiquei ali sentada observando as mansões, enquanto comia a minha rosca, é o homem tinha razão, a rosca era muito boa.
– Já estou indo pai, se não eu vou me atrasar para o colégio. – disse uma voz profunda e sedosa, que eu não conhecia. Bom, claro que eu não conhecia porque eu era nova na cidade, mas tudo bem.
Virei-me para ver de quem era aquela voz – ok eu confesso aquela voz era muito linda e só por isso que eu olhei quem era – e me deparo com um cara, mas não um cara qualquer, tipo o garoto que acabou de dizer isso é uma graça, na verdade ele não é só uma graça, aquele cara... caramba, ele era lindo. Mal o conheci e já queria adivinhar como eram as coisas por baixo da sua camiseta. Espera ai, o que eu estou dizendo? Meu Deus, eu estou virando uma safada, preciso parar com isso. E também, o que um cara que nem ele ia querer comigo, uma esquisitona.
Mas... ei! Eu conheço essa camiseta que ele está usando...
AAAH MEU DEUS!!! É igual a MINHA!!
Bom, mas nem deu tempo de eu examinar a camiseta direito, para ver se era igual mesmo. Porque o negócio é que eu fiquei tão abestada admirando o garoto, que cai da cadeira.
Cai fazendo o maior barulho e esborrachei a minha bunda no chão. Legal, mais roxos para a minha coleção de roxos. Fiquei ali encolhida no chão com a esperança de que as pessoas não me notassem, mas pelo visto não deu certo porque um segundo depois já tinha gente me rodeando, e não era qualquer pessoa. Ah... com certeza não era qualquer pessoa.
– Quer ajuda? – disse o garoto da voz sedosa, esticando o braço para me ajudar a levantar.
Peguei na mão dele e ele me puxou para cima. E só aquele toque dele me fez formigar toda.
– Hã... – murmuro para o garoto sem nem mesmo olhar no rosto dele, óbvio que eu não ia olhar, estava morrendo de vergonha. – obrigada.
– De nada, que tombo hein? – ele diz rindo.
Como assim? Quem ele acha que é para ficar zombando da minha cara só porque eu caí? Só porque ele é lindo de morrer não significa que pode ficar me zoando.
Levanto o rosto para fuzilá-lo com os olhos, mas quando encontro os olhos dele – enormes olhos verdes que parecem mais com dois gramados verdes no meio do rosto, com pestanas maiores que as minhas – quase esqueço completamente o que ia fazer.
– Olha aqui amigo– fui dizendo, levantando num salto. – Você não pode sair por ai zoando as pessoas só porque elas caíram.
– Joshep. – ele disse sorrindo de um jeito que ficava muito lindo e ignorando completamente o meu sermão no estilo tia-avó.
– O que? – eu disse totalmente confusa.
– É que você me chamou de amigo e amigos sabem os nomes dos outros amigos. – ele disse ainda sorrindo
– É. – respondi carrancuda, ainda brava por ele ter rido de mim. Ele podia ser um gato, mas nem por isso podia ficar rindo de mim desse jeito.
– E o seu? – ele perguntou, já que eu não falei nada. Ok, a situação já estava ficando desagradável, daqui a pouco o garoto vai sair correndo para longe de mim por causa da minha esquisitice, mas tudo bem eu não ligo, já estou acostumada, sério mesmo. Além de que eu não quero nada com ele.
– Demi, na verdade é Demetria, mas eu prefiro que me chamem de Demi, porque sabe como é, eu não gosto muito do meu nome. Então pode me chamar de Demi mesmo, ou do que quiser. As pessoas têm uma leve queda por me dar apelidos e vice-versa – eu disse afastando uma mecha de cabelo para trás da orelha.
– Hmm...  Então vai ser Demi mesmo – ele disse rindo –   então você gosta de Paramore? – ele disse e apontando para a minha camiseta.
Ele estava sorrindo para mim. Um lindo sorriso. Um lindo rosto também e lindos olhos verdes. Um rosto e corpo que, se ele fosse à minha antiga escola no Brasil, seria o cara mais cobiçado entre as meninas. Ele tinha um olhar fixo, mas não era sem vida, era tão vivo que dava para ver coelhinhos brancos saltitando no gramado verde que eram seus olhos.
– Ah – dei uma olhada na minha camiseta e depois na dele – claro. E você parece gostar também. – apontei para a camiseta dele. Já estava ficando danada, primeiro porque eu estava morrendo de frio, não estava nem um pouco acostumada com esse clima de Boston e segundo porque eu tinha que andar logo se não ia chegar atrasada no primeiro dia de aula.
Eu sei que às vezes eu sou um pouco nervosa demais, mas é que eu realmente fiquei fula da vida por ele ter zoado de mim. Podem fazer qualquer coisa comigo, menos me zoar. Já fui zoada demais na vida, acho que o tanto o que eu já fui zoada já dá e sobra.
– É eu também gosto – ele disse sorrindo e pegando meus livros que deixei cair no chão enquanto eu ficava olhando disfarçadamente para os músculos de seus braços se contraindo. Músculos bem definidos, o que não vem ao caso, mas tudo bem. Será que ele tomava bomba? Acho que não, ele não era tão musculoso assim. Ok, talvez só um pouquinho.
– Aqui seus livros. – ele disse me entregando meus livros. – Hmm... você gosta de A menina que roubava livros? – ele disse enquanto examinava os livros que estavam na minha mão.
– Obrigada. – murmurei e peguei meus livros. – Não – eu disse – na verdade não é que eu não goste, é só que é um pouco confuso, pelo menos o começo sabe? – disse constrangida por admitir uma coisa dessas.
– Hmm entendo, mas se você continuar lendo você vai começar a entender o que o autor quer dizer. – ele disse com mais um de seus sorrisos, enquanto o homem grisalho passava do nosso lado e cutucava Justin.
– Sem papinho, temos muito trabalho pela frente. – disse o homem para Joshep, entregando um cappuccino de chocolate para a moça da mesa ao lado.
Adoro cappuccino. É um dos meus vícios. Ainda bem que é cappuccino e não droga, se não eu seria uma drogada UAHEUAHE
– Você trabalha aqui? – perguntei. Ok, agora eu já estava mais calma. Até que o sujeito era legal, e bonito...
Sempre tive uma queda por caras bonitos. Acho que todo mundo tem quedas por caras bonitos. Afinal de contas, eles são bonitos.
– Não – ele disse – na verdade mais ou menos, meus pais são donos daqui então às vezes eu os ajudo com algumas coisas. – ele disse corando, nem sei por que, mas ele corou, acho que deve ser essa coisa de trabalhar com os pais e tal. Ele deve ter vergonha, sei lá ou isso ou o cara tem problemas com perguntas do tipo: “você trabalha aqui?”
Virei às costas e comecei a andar rumo á porta.
– Bom, tchau, tenho que ir – disse continuando á andar. Era melhor eu ir logo, chegar atrasada na aula não estava na minha lista de coisas para acontecer no primeiro dia de aula. Não que eu tenha uma lista do que irá acontecer no primeiro dia de aula, isso seria doentio.

O que será que vai acontecer? Ele deixará ela ir embora? Descubra no próximo capitulo *--*

Nenhum comentário:

Postar um comentário